Oi.
Hoje eu estou triste. Não tenho como não estar, porque você deixou esse plano. Acabou sua passagem por aqui.
Espero que, como você fazia, eu não deixe essa tristeza me consumir por muito tempo.
Não quero escrever nada na sua página do Facebook, estava achando tão lindo aquela corrente de oração e de fé, apostando na sua recuperação e não quero registrar esse momento lá. Opção minha.
Prefiro escrever uma carta, sei lá se deve ser bobeira, mas vai que eu dou sorte e por aí também tenha quem psicografe recados...
Eu só tenho a te dizer que, por mais ou menos três anos eu tive o prazer e a honra de conviver com você, uma pessoa que tinha uma condição um pouco diferente das demais, mas que aceitava suas limitações e que levava a sua vida de acordo com o ritmo que podia, mas que nunca se entregou, nunca deixou que sua fraqueza dominasse o que tinha de forte em você. E me ensinou que aceitar o que Deus coloca nas nossas vidas é a nossa maior oportunidade, porque chorar e espernear não vai conseguir fazer com que nada seja diferente.
Você andava devagarinho, mas dirigia rápido. Uma vez você me falou que era pra compensar a velocidade que você andava. Era essa a sua maneira de encarar as coisas, sempre dando seu jeito.
As vezes, quando a gente ia almoçar no shopping, eu começava a andar mais rápido (costume de querer fazer tudo logo, acho que culpa da ansiedade) e você logo falava "Ei! Dá pra parar de correr?" E eu ria, pedia desculpas e desacelerava o passo, lembra?
Aprendi com você que as pessoas têm limites diferentes, vidas diferentes e entendi que o respeito pelos limites, tanto os nossos quanto os dos outros é imprescindível para vivermos em paz.
Eu lembro que quando eu comprava um carregamento de livros, você sempre ficava mexendo comigo, falando que eu ia encher o quarto e não ia mais conseguir entrar, mas quando eu ficava em dúvida se comprava ou não, você sempre incentivava.
Quando você começou a levar mais livros pra ler no trabalho, eu encontrei um marca página e te dei de presente, porque eu gostava de ver você animada com as histórias. Foi uma coisa tão pequena, mas você ficou tão feliz que parecia que eu tinha te dado um pônei cor de rosa!
Quando eu consegui a bolsa para fazer o mestrado você me deixou uma mensagem de voz tão linda, dizendo emocionada que sempre acreditou na minha capacidade e que eu merecia tudo aquilo que eu desabei no choro, ouvi várias vezes. Agora eu estou com uma ligeira (enorme) raiva de mim por ter formatado o celular e ter esquecido de fazer backup pelo menos disso.
Já tinha uns dias que você não via o sol e hoje, o dia que você deixou sua casca aqui, o dia está engraçado: olhei lá fora, faz sol e um pedaço do céu está azulzinho, bem bonito, mas um pedaço dele tá todo branco, como se soubesse que o dia tem que ser bonito pra receber você, mas também respeita nossa tristeza.
Eu tenho sido egoísta nos últimos dias, deixei de rezar a Deus pra que Ele exercesse a vontade Dele e pedi só pela minha vontade, de que você acordasse e pudesse sentir o ar entrando nos seus pulmões novos.
Sempre achei você louca por querer arriscar essa cirurgia, acho que até cheguei a falar para você, mas eu nunca te disse que não queria que você fizesse. Mas eu não queria, porque queria você mais tempo aqui com a gente. Egoísta de novo, eu sei. Mas você não pode me culpar, sua presença era agradável, oras!
Eu não queria que você fizesse a cirurgia porque, as pessoas que brincam de deus ainda não têm o poder de decidir quem vai e quem fica e só arriscam. Claro, a vontade é que dê certo, mas ainda é um tiro no escuro.
Não consigo me acostumar com a ideia, saco. É a vida, todo mundo vai morrer um dia, mas não consigo. É como se eu perdesse alguém da família. Fico pensando toda hora que não vou poder mais mandar um vídeo esdrúxulo quando achar e nem qualquer outra bizarrice que fazia você dar risada até cansar.
As vezes eu até me arrependia de te mandar essas loucuras pq vc ficava com falta de ar de tanto que ria. Vou sentir falta de você me mandando dicas de esmalte, das horas de almoço que a gente passava fazendo as unhas e de te encher o saco porque você não comia salada.
Hoje eu estou triste e vou ter que lidar com o vazio que você está deixando. Mas vai passar e eu sei muito bem pra onde você me mandaria se eu me prendesse por muito tempo a isso.
Se alguém merecia o céu e estar cercada de anjos e pertinho de Deus, é você. Ninguém queria que fosse agora, que fosse tão cedo, mas o que me conforta é saber que você vai estar bem.
Mais do que nunca eu desejo que a gente possa ter outras vidas, pra que eu tenha a chance de encontrar com você por aí de novo, só para eu te encher mais o saco e a gente dar mais risada.
E faz um favor pra mim: Suba essas escadas para o céu de um fôlego só. ♥
quarta-feira, 18 de junho de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Julgamento
Já reparou que você nunca consegue ganhar? Não, não no sentido de que a sua vida é uma porcaria e tudo está dando errado, mas no sentido de que sempre tem alguém por perto para criticar sua vida, suas decisões, seu modo de viver, de se expressar e suas escolhas, principalmente.
Se você procura ver tudo pelo lado bom, você está ignorando o mal do mundo. Se fica triste, é mal agradecido. Se você sorri, deve ser meio besta, se não sorri, que infeliz, que cara de...!
Existem pessoas que parecem fazer parte da sua vida como um júri de provas de fogo, daqueles que levantam as plaquinhas com notas depois da performance. E as notas são sempre abaixo de cinco e os rostos são sempre de uma decepção quase disfarçada. Por que você quer tanto estudar? Por que gosta tanto de ler? Por que quis ir dormir cedo? Sua pressão foi lá embaixo, por acaso você está grávida? E essa alegria aí? Por que tudo isso, menino? Abaixa essa bola que você não tá no topo do mundo, tonto!
Se você é magro e emagrece, deve estar doente, coitado! Por que você emagreceu? Não tá se alimentando direito porque? Mal agradecido, tanta gente passando fome e você ainda fica recusando comida. Como se você tivesse que aceitar tudo que lhe é oferecido porque há outras pessoas passando fome e o desperdício é inaceitável. E se você engorda? Nossa, isso só pode ser ansiedade. Tá com distúrbio? Será que ela se enxerga magra? Cuidado, hein? Gordo morre cedo, nunca é saudável. Se você é mulher, tá grávida (de novo!)?
Tudo é um julgamento. Todo julgamento com base em dados e pesquisas que todo mundo fala, mas que ninguém sabe de onde veio. Sem pensar duas vezes, as línguas se soltam. Tenho um amigo que morreu assim, cuidado. Ninguém pensa se você está realmente com um problema, se está passando por uma fase difícil ou tendo que se adaptar a alguma coisa. "Peguem seus alfinetes, aí vem ela! Vamos espetar até ela ficar brava e aí, podemos dizer que ela está sempre de mau humor!". Palavras amigas se tornam mais escassas a cada dia. Os olhares de reprovação invadem todos os cantinhos da sua vida e aí você começa a pensar que está de fato fazendo tudo errado e quer reavaliar toda a sua vida por conta... do que os outros estão falando.
Melhor parar por aí. Não vale a pena reformular tudo. Daqui a pouco, vai ter outra banca de jurados te avaliando e questionando tudo. A novela nunca muda e é melhor você aprender a fazer suas performances com protetores auriculares ou com fones de ouvido, escutando uma boa música e dançando. Já que vão falar, falem, mas não prometa que vai se importar com isso.
segunda-feira, 31 de março de 2014
5
Nós não somos "ô dois". Não somos "o casal", não temos perfis juntos nas redes sociais e a decisão de um não precisa necessariamente ser a decisão do outro. Discordamos.
Não somos iguais e não respiramos com o mesmo nariz e, sendo assim, sabemos que temos as nossas diferenças e muito mais que isso, sabemos respeitar essas diferenças.
Você é classic rock, ou indie. Eu sou pop, fossa, vários tipos de rock, música de tia e sei cantar tudo isso e até o que eu não gosto.
Você é calmo, reservado e ansioso. Eu sou briguenta, estourada, bato a mão na mesa, reclamo. Você é a preguiça quando eu estou estourando de atividade. Somos opostos? Não, acho que não. Somos o equilíbrio um do outro, águas contrárias que colidem. Mas nunca âncoras, porque você sempre me incentivou naquilo que eu quis para a minha vida e esteve presente em toda e qualquer angústia enquanto eu sou sempre sua conselheira, sua consultora, seu pensamento racional quando você está sendo impulsivo.
Cinco anos. 60 meses. O financiamento de um carro. Estamos juntos a esse tanto de tempo e eu não vou fazer as contas das horas e dos minutos que estivemos juntos porque... pra quê?
Estamos, nesse tempo juntos, crescendo, evoluindo, mudando de ideias, conversando sobre toda e qualquer coisa que possa surgir. De cores dos meus esmaltes até a psicologia e os instintos humanos. E temos assunto. E as vezes precisamos nos cortar porque temos que dormir. Ainda nos falamos no celular mais ou menos quatro vezes ao dia. Ainda temos interesse em como está sendo o dia um do outro e, as vezes, mesmo meu dia estando um lixo, alguma coisa diferente ou alegre que tenha acontecido com você já faz com que eu me anime.
Resumidamente (não.), quero te agradecer. Pela paciência, por ter me esperado, por ter me aceitado. Por querer a todo custo arrancar um sorriso de mim quando eu estou triste e me sentindo toda errada e por querer me animar quando eu estou sem vontade de fazer nada.
Obrigada por me fazer sair da zona de conforto, por me desafiar, sem nunca duvidar de mim. Por não deixar eu me acomodar, obrigada por ser quem você é e por me deixar encher seu saco, puxar seu cabelo, te beliscar, te morder e pular em você no hall do elevador.
E obrigada por avisar quando minha roupa não está combinando.
Você é essencial na minha vida, uma companhia que eu jamais imaginei que eu teria.
Cinco anos juntos é só o começo, quero a vida inteira do seu lado, se ela for assim.
A.
Não somos iguais e não respiramos com o mesmo nariz e, sendo assim, sabemos que temos as nossas diferenças e muito mais que isso, sabemos respeitar essas diferenças.
Você é classic rock, ou indie. Eu sou pop, fossa, vários tipos de rock, música de tia e sei cantar tudo isso e até o que eu não gosto.
Você é calmo, reservado e ansioso. Eu sou briguenta, estourada, bato a mão na mesa, reclamo. Você é a preguiça quando eu estou estourando de atividade. Somos opostos? Não, acho que não. Somos o equilíbrio um do outro, águas contrárias que colidem. Mas nunca âncoras, porque você sempre me incentivou naquilo que eu quis para a minha vida e esteve presente em toda e qualquer angústia enquanto eu sou sempre sua conselheira, sua consultora, seu pensamento racional quando você está sendo impulsivo.
Cinco anos. 60 meses. O financiamento de um carro. Estamos juntos a esse tanto de tempo e eu não vou fazer as contas das horas e dos minutos que estivemos juntos porque... pra quê?
Estamos, nesse tempo juntos, crescendo, evoluindo, mudando de ideias, conversando sobre toda e qualquer coisa que possa surgir. De cores dos meus esmaltes até a psicologia e os instintos humanos. E temos assunto. E as vezes precisamos nos cortar porque temos que dormir. Ainda nos falamos no celular mais ou menos quatro vezes ao dia. Ainda temos interesse em como está sendo o dia um do outro e, as vezes, mesmo meu dia estando um lixo, alguma coisa diferente ou alegre que tenha acontecido com você já faz com que eu me anime.
Resumidamente (não.), quero te agradecer. Pela paciência, por ter me esperado, por ter me aceitado. Por querer a todo custo arrancar um sorriso de mim quando eu estou triste e me sentindo toda errada e por querer me animar quando eu estou sem vontade de fazer nada.
Obrigada por me fazer sair da zona de conforto, por me desafiar, sem nunca duvidar de mim. Por não deixar eu me acomodar, obrigada por ser quem você é e por me deixar encher seu saco, puxar seu cabelo, te beliscar, te morder e pular em você no hall do elevador.
E obrigada por avisar quando minha roupa não está combinando.
Você é essencial na minha vida, uma companhia que eu jamais imaginei que eu teria.
Cinco anos juntos é só o começo, quero a vida inteira do seu lado, se ela for assim.
A.
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