terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Quereres


Eu queria saber desenhar, queria voltar a escrever como antes, queria ter mais tempo para poder fazer mais coisas.

Dizem que a gente não pode dizer "queria", porque é como se já contássemos que não vamos conseguir fazer ou realizar esses quereres. Como se fosse assumir a derrota.

Então, eu quero mais certeza, quero mais conforto, quero deitar numa rede e de repente pegar no sono. Quero continuar aprendendo, sem parar. Quero continuar pensando para não me tornar uma ameba que vai de um lado para o outro , alheia a todo o resto, levada pela maré de outras amebas.

Quero fugir da negatividade e quero me afastar de pessoas que fazem mal a si mesmas e ao mundo, aquelas que enxergam tudo em preto e branco.

Quero ser justa, quero estar em paz, quero ter tempo para distrair a minha cabeça com coisas que eu gosto, sem pensar se está bom ou ruim ou se vão gostar... quero só a tinta no papel, fluindo, se agarrando, sem desbotar, sem borrões de lágrimas. Quero até um pouco mais de paciência, mas aí sei que é querer demais.

Quero continuar querendo, almejando, desejando. Assim sei que ainda tenho vontade de andar para frente, que vivo e não apenas sobrevivo e querendo assim, vai que um dia eu consigo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lição



A hora de ser feliz é agora.
Aliás, toda a hora é hora de ser feliz, porque não adianta: nada do que a gente fizer - cara feia, espernear, jogar as coisas... - vai fazer com que os  problemas corram com medo. Por que não desfazer essas rugas tão feias de preocupação e pesar no rosto e colocar umas ruguinhas de riso?
Aquele peso nos ombros, aquele aperto no peito, de que servem? Pra que correr tanto? Só vai fazer a gente morrer mais rápido, virando uma esquina e trombando em algum acidente que poderia ser evitado se ali atrás, a gente parasse pra pensar um pouco e respirasse fundo enquanto isso.
Eu não sou um bom exemplo disso e, se eu escrevo, é porque eu também preciso aprender.
Aprender a relaxar, aprender a dar um pouco mais de risada com as coisas que acontecem no dia a dia, soltar as unhas da palma da mão de apreensão e bater na mesa porque tive uma ideia brilhante.
É impossível rir de uma doença, é claro. Mas é possível encarar as coisas com bom humor. Porque enfrentar, vai ter que enfrentar de qualquer jeito. O caminho mais fácil é sempre aquele que a gente encara com a cabeça erguida e o pensamento sempre pro lado da luz.
Pensando assim, tudo se torna claro. O que é difícil não fica tão ruim (pode ser que ainda não fique fácil, mas parece que você é mais forte).
Diga bom dia, sorria para as pessoas. Não seja tão duro! Ninguém tem nada a ver com os seus perrengues e ninguém além de você pode resolvê-los.
É sexta feira e você não vai sair? Pegue um livro, escreva algo bom, vá fazer aquela receita que você sempre quis e sempre teve preguiça. O mundo não vai acabar porque você não vai sair e não vai parar até que você se sinta melhor.
Pare de sentir auto piedade. Se você não está se sentindo bem, pense que logo vai melhorar. 
Se vai, vá. Se não quer ir, não se force. Só não deixe de ir porque acha que não tem roupa.
Não tenha tanta preguiça. É bom não fazer nada as vezes, mas sempre vira doença. Você é uma pessoa, não uma lesma.
Ocupar a cabeça é um santo remédio e fecha a cabeça de inutilidades as quais você não precisa - e nem deve - pensar.
Pense calmamente, mas pense rápido. Se ficar indeciso, vem alguém e leva o que era pra ser seu num piscar de olhos.

Esse texto, como eu disse, serve inteiramente para mim e escrevi com o desejo de que eu possa acordar.

Mas pode ser que te acorde também :)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mágica das almas



Ela não sabia de onde havia saído aquilo, aquele impulso. Apenas havia acontecido como um vaso acidentalmente cai ao chão, espatifando-se em milhões de pedacinhos e nunca voltando a ser o mesmo, ainda que houvesse uma tentativa de ser colado.
Havia sido assim com ela e ela nunca voltaria a ser a mesma.
Para ela, um beijo nunca tinha sido apenas um beijo. Sempre foi sinal de um contato extremo, onde duas almas que se encontram e descobrem uma ligação necessitam se tocar, se descobrir e dar um sinal de um afeto maior do que qualquer outro sinal, uma forma de reconhecimento. Um beijo era um modo de se conectar, de demonstrar um carinho e uma afeição que estão além das palavras, pois cada uma que pode ser dita está muito aquém do seu significado real.
Ela já havia se enganado algumas vezes, onde tentara colocar palavras em um beijo para pessoas que não entendiam seu significado, estavam longe dela, longe de sua expressão e acontecia que não havia aquela mágica - nada de fogos de artifício, sininhos tilintando, nem fadas jogando pó mágico ao redor. Era mais realista - de um sentimento crescendo aos poucos dentro de si. Ao invés disso, apenas não se sentia nada, nem o mínimo de frio na barriga, daqueles quando se tropeça na calçada, a não ser um arrependimento pela grosseria feita.
Sim, ela sentia que era uma grosseria feita com a pessoa e principalmente com ela mesma, por não entender o que sentia e por levar para frente algo que ela devia saber não ser possível acontecer, pois não ocorria o que as pessoas costumavam chamar de "química". Aquela não era a definição certeira para o que deveria acontecer no momento de um beijo, que envolvia muito mais coisas além de apenas elementos químicos. Sentimentos não poderiam ser comparados a elementos químicos, eram complexidades diferentes, quase opostas.
O que havia acontecido dessa vez não tinha sido um erro daqueles que costumava cometer por julgar conhecer os sentimentos muito cedo e, de certa forma não havia o peso na boca do estômago, quase como um soco, do arrependimento. Mas ela sabia que tudo estava fadado a ruir, ela tinha plena consciência de que havia conhecido uma alma semelhante a sua. Haviam os mesmos interesses, as mesmas características, objetivos, sonhos, sorrisos, gostos. Ela sabia que havia também algo essencial para aqueles casos: discordância. E mais do que apenas discordância, respeito no momento em que elas surgissem.
Sabia como o beijo seria antes mesmo de selar os lábios nos dele, sabia que seriam beijos calmos, tranquilos, sem pressa de nada, sem acelerar o destino. Apenas aceitando o momento, sentindo o que era para ser sentido.
Tudo confirmou-se naquele momento, mas foi ainda melhor do que ela imaginara, foi mais além de tudo o que ela já havia sentido em vida. Naquele momento, sentiu uma certeza, sentiu como se tudo o que é intangível pudesse ser concreto e tudo o que é palpável pudesse se desfazer em poeira com o mais simples pensamento, estava tudo certo, mas surpreendentemente errado.
Ela sabia que aquela seria a sua alma, aquela perfeita para tudo o que ela havia sonhado enquanto tinha seus olhos abertos, mas também tinha a certeza de que quando abrisse seus olhos e desencostasse suas mãos de seu ombro, uma distância enorme se colocaria entre eles, forçando-os com mãos de ferro a separarem-se por um longo tempo, por motivos que talvez nem mesmo o tempo conseguiria explicar. Sabia que ele estaria partindo nos próximos segundos, embarcando em algo que ela não poderia mensurar.

Naquele turbilhão de sentimentos, com tudo aquilo chacoalhando dentro dela, a pergunta que tinha feito desde a primeira vez que se encontraram e que trocaram a primeira palavra ecoava em sua mente "Será que conseguirei encontrá-lo?"